um fio de néon
te sustém no ar
como uma bailarina
prendendo-te ao irreal

E se a morte te esquecesse?


ficarias a brilhar como as estrelas
brilharias como os pirilampos nas noites escuras
brilharias como os diamantes nos finos pescoços
das mulheres esbeltas

E se a morte te esquecesse?



serias uma bailarina perfeita
ao som dos raios da lua
serias um sorriso numa face rosada de uma bela criança
serias o olhar apaixonado

mas a morte
lembrou-se de ti
e quis te retirar as asas
Tu foste mais esperta
e fugiste dela
fingindo o sono eterno

depois,
quando a morte se fartou de te procurar
apareceste
e como um passo de magia
voaste entres as falésias junto ao mar
voaste como um anjo
vencedor
sorridente

voaste
para longe


voaste
para o eterno

voaste
para a doce vida eterna

para o sonho
para o paraíso

e entre as melodias que cantavas
eu dançava como uma bailarina de papel
voava entre os teus dedos
e aparecia no teu sorriso majestoso
eu era feliz
quando, simplesmente entoavas uma doce canção




Lylia Violet
Com a Eterna Saudade, mamã

Feliz Natal (?)

Feliz Dia De Consumismo!

ups, não era bem isso, era Feliz Natal



:)


Abraços e Beijinhos

Poesia V

As palavras foram deixadas em cima de uma cadeira
despindo o corpo e deixando exposto ao
frio cortante que vinha do norte
fico apática
à espera de um olhar que me aqueça

Transformo-me em lua num dia de inverno
que ilumina as ruas geladas

invento sonhos numa terra longínqua
{continuo com frio
tento acender as fotografias tiradas no passado
e que pouco a pouco amareleciam com o passar dos anos
mas estou confusa
e completamente só

{continuo à espera de um olhar que me aqueça
{talvez o teu

um sombra corre pela brisa
e entra-me pelo quarto
os seus lábios mexem-se ou sorriem
olho-o deslumbrada

as nossas bocas unem-se
os olhares tocam-se
o frio sossega de repente

Poesias IV

É de cravos
o cheiro que embala a minha alma
É de rosas o perfumar do teu corpo

Ó se minhas palavras arte fosse
Porque leal e amor sou
cravar-te-ei nas estrelas,
desenhar-te-ei nos rios e florestas
amar-te-ei sempre.


Beber-te moderno sumo do fruto.
Abundante por espasmos
Segredos intimos,
apenas revelados ao meu corpo.


Ó se eu poeta fosse
escrever-te-ia toda a minha alma
todo o meu amor.
Ó dor! Ó amor!
Ó dor! Eis-te amor. Meu amor.
Nem Vénus. Nem de Cnido nem de Milo.
Nenhuma Deusa perto de ti
é tão sublime, tão doce, tão meiga.


Amor! Ó amor!

Poesias III

Jardim de Agosto




Sabes, amor, procuro por entre os teus buracos inúteis que se prenderam ao passado, mas a noite chega me sempre inquieta em ventos gelados.
Acendo um cigarro e converso com os meus fantasmas, enquanto passeias as tuas palavras recheadas de sedução perto de outros seres. Os teus dedos que tacteiam o teclado, tem fogo na ponta, queimando quem te lê no outro lado.
Escondes com o teu rosto as perversões criadas, enquanto eu, sentada, me perco entre pensamentos escondidos, lágrimas que me queimam a alma.

A tua ausência transparente, percorre a minha pele cortando-a como uma fina lâmina aguçada, provocando rios de sangue que pintam o nosso quarto. Manchando-o com a tua indiferença para comigo.

Por vezes, sinto-me só.
Não sei dizer de onde aparecem os muros que surgem no teu rosto, quando a minha mão toca no teu corpo; tudo o que dissemos perdeu a cor, a musica, o sentido, a paixão.
Tudo ficou para trás, quando me tocas, não te sinto como sentia antes, quando te toco tu não me sentes, mas nunca me sentiste antes.



Os olhos fecham-se agora com o peso das paixões desfeitas, e continuamos a respirar no nosso jardim de Agosto.

Poesias II

sou um ser que está petrificado com a seiva que escorre das manhãs,
e por de trás deste corpo, as palavras são silêncios perdidos
que sílaba por sílaba enterram-se no corpo

sílabas que estão contaminadas com a luminosidade dos barcos adormecidos
nenhuma máscara consegue esconder o rosto magoado,
desfolham-se os dedos sempre que tento escavar as palavras até ao coração


A noite aproxima-se
A noite jorra silêncios, estrelas e mar
Olho-te a adormecer, teu rosto derramado sobre o meu ombro

Poesias I

são oito horas da noite e alguns minutos
eu estou a flutuar irremediavelmente para longe.
o mundo parece despedaçar-se pelos oásis da minha loucura
este vácuo lento do tempo
começa a sugar o meu sangue,
deixando vazio a mente.

é-me desconhecida, por completo, a vida fora dos sonhos
e dos espelhos
onde brincavas com teias de delírios
com o sangue que escorria pela face

comemos a lucidez do asfalto
entramos no real


sei..eu sei que a mentira comanda o sonho
{mas é no sonho que te encontro}

Acordo.

Não semearei desgostos nem traições, por onde passar
 
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