segunda-feira, 14 de março de 2011
Uns dias na cidade deu nisto.
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Gritos em Silêncio
Uma espécie de compaixão escorre aqui, gota a gota, dentro de ti. Permaneces deitado a meu lado, o dia acordou com pujança.
Acordaste com um grito, não um ruído, mas um grito que anestesiou os sentidos, que impede de ver e de ouvir. O que gritavas era apenas um devaneio ingénuo do teu amor que pretendia ser a supressão de todas as contradições, a supressão da dualidade do corpo e da alma e talvez mesmo a supressão do tempo.
Sentas-me à beira da cama, lábios que se tocam com a suavidade mas com ardor e prazer; As tuas mãos continuam tocando me sem cessar.
Passeiam pelas coxas, subindo lentamente.
Gemidos abafados pelos teus beijos, carícias constantes. As minhas unhas a percorrer as tuas costas, arranhando, provocando-te arrepios.
As tuas mãos agora passam pelos meus seios, apertando-os. A tua língua a percorrer o meu corpo.
O dia desagua pela nossa janela, somos enjaulados pela fina teia de néon, que nos vai corroendo a alma, à medida que penetras em mim, que despejas toda a tua sabedoria dentro deste meu corpo quase apodrecido.
Viro a cabeça compulsivamente, à procura do amor antigo, fantasmas que ainda pairam sob a tua cabeça.
Este era um momento de desprezo, tinha a vontade de fazer retirar tudo o que te dei, todo o meu corpo e atirar aos animais que passeiam nos meus pesadelos.
Tudo era uma mentira criada por nós;
(...)
Lúcia Pereira
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Eu.
que basta querer.
mas, na verdade, estou derrubada
sobre esta mesa suja dum bar verde.
embriagada nos pássaros que vão rodopiando
à minha volta,
os rostos pálidos, abandonados ao alcool.
dizem que tudo posso possuir,
que podia ter sido uma mulher feliz,
mas na verdade sinto-me bem nesta melancolia que se foi agarrando a mim
pouco a pouco, como algas se prendessem à minha pele.
que eu sei sobre o amanhecer ou o entardecer?
que sei eu sobre as mãos que ferem,
ou brotam sob sonhos quebrados?
amo o lado escondido das sombras,
a luz atravessa-me como alfinetes que teimam
em queimar a ponta dos dedos.
Estou sentada, deitada, tanto faz
e sinto o desmoronar dos dias.
as ruas desertas que passam rente ao coração.
possuo apenas este corpo
que não conhece o dom de se entregar,
possuo apenas estas mãos que apenas sobrevivem
para derramar sobre folhas,
as palavras que vão desaparecendo,
pouco a pouco, como a ausência do teu corpo.
Lúcia Pereira
sábado, 7 de agosto de 2010
Palavras
Resta-me agora a escrita
a eterna vontade de permanecer aqui entre as sílabas gastas,
o recomeçar de uma mentira que
se vai desenrolando no passar dos dias.
Escrever para além das memórias do meu corpo,
escrever para além do tempo que morreu.
o silêncio das palavras abandonadas.
Aqui, longe de tudo, morre-se aos poucos.
O tempo parou, já o disse.
Um vulcão queima-me o sangue
e derrete-me por completo a ponta dos dedos.
Meu Deus! preciso de mais Absinto, para que a lucidez do coração cesse também. Preciso beber, beber muito, para me perder, para a alma se perder por instantes na tranquilidade do meu próprio esquecimento.
domingo, 27 de junho de 2010
Palavras Perdidas
flutuando onde se derramam beijos e adeus
pela boca luminosa da noite
a minha personagem permanecerá
intacta,
o osso que velozmente sai pelo rosto
o riso que ironicamente escapa
a bala que raspa a nuca
faz te estremecer numa quase perversa orgia
não percebo mais os corpos e as ruas
não quero perceber
deixei de possuir o choro eterno da dor
de agora em diante, abandono-me apenas
em cada silaba neste conto inacabado
tudo o que me resta é apenas esta
mão louca pousada sobre o papel branco
e tu, já não moras em mim.
sábado, 26 de junho de 2010
A Ausência de mim
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pela linha ténue do mar
os dias lentos...sem ninguém
por vezes, dou por mim,
aqui sentada em cada letra que deposito
sem perceber bem como cá
vim parar.
perco-me por entre alucinações e
lágrimas ou risos enlouquecidos.
os dias lentos...sem ninguém.
(...)
Lúcia Pereira
Peço desculpa pela ausência, mas no momento estou sem internet
beijos a todos vós com imensa saudade de vos ler e reler
